Não sei o que dizer daquela manhã. Talvez fosse março, talvez abril. O que me surpreende é que é a única manhã que me lembro. Talvez não fosse tão cedo assim...
É certo que eu esperava, como antes esperei, esperava ver o rosto que não me respondia nada, mas sanava minhas dúvidas.
Cá entre nós, caso já tiveste que esperar a chegada do derradeiro minuto que precede um estimado e aguardado encontro de olhares, saber precisamente o que é esquecer de todo a função do intelecto em prol de certa espontaneidade ritual, pois uma única troca de olhares, ainda que breve, entre dois seres apaixonados é tanto consequência física como um rito único e inexplicável.
Se ainda não perdeste o foco em teus próprios devaneios e memórias, é por que tais situações foram demasiadamente frugais para o teu entendimento, e isso deve-se apenas lamentar uma vez, e em segredo.
Eu mesmo perco-me em divagação, e se minha memória falha em especificar melhor aquela manhã, ou tarde é justamente uma das consequências físicas daquele torpor que se apoderou de mim naquele mesmo dia: eu não sabia que desperto, ainda que fosse pelo amor, estaria fadado a esquecer tudo mais, por esquecer de mim.
Te pouparei os detalhes ternos e cálidos daquela manhã, ou tarde, de março, ou abril. Destarte, evitarei minhas lágrimas; a história, porém, nada perderá em essência: aquele que já teve sua amada ao pé de si, aquiescendo seu amor no silêncio de um sorriso e no mútuo deleite da contemplação, sabe que é inútil, e arriscado, elaborar descrições sobre o que vemos nos olhos do amor quando estacam os relógios e aceleram os corações...
De cada infinito detalhe que eu retenho daquele dia, nenhum é tão doce e infinito quando o lânguido olhar de despedida unido ao sorriso esperançoso e de lábios tão ansiosos quanto os meus; e esse gesto, que me foi concedido a distância, preenche um vazio no meu peito que me pergunta: "Quanto tempo se passou desde aquela manhã, ou tarde, onde dois sonhos se uniram numa só lembrança ?"
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
Vem
Vem sentar-te ao meu lado,
Aqui, nessa beira de rio.
Esqueças que um dia não haverá
Eu, tu, o rio, e todos os dias belos.
Vem lembrar comigo do nosso amor,
Como um passado que nos manteve jovens,
E com seu silencioso crepitar nos aqueceu
Afastando o frio da solidão.
Vem, para que eu possa ler nos teus olhos
Aquele amor tão puro e espontâneo
Que evita-se enunciá-lo por medo de que,
Tornando-se tangível, quebre-se.
Vem, escuta-me dizer-te ao teu ouvido
Que tua incerteza só é,
Se não puderes ver,
E só verás se escolheres ver.
Espero por ti, nessa mesma beira de rio
Cada um dos meus frugais pensamentos aqui
Buscam conciliar a hora do meu despertar
Com a hora que chegarás até mim.
Aqui, nessa beira de rio.
Esqueças que um dia não haverá
Eu, tu, o rio, e todos os dias belos.
Vem lembrar comigo do nosso amor,
Como um passado que nos manteve jovens,
E com seu silencioso crepitar nos aqueceu
Afastando o frio da solidão.
Vem, para que eu possa ler nos teus olhos
Aquele amor tão puro e espontâneo
Que evita-se enunciá-lo por medo de que,
Tornando-se tangível, quebre-se.
Vem, escuta-me dizer-te ao teu ouvido
Que tua incerteza só é,
Se não puderes ver,
E só verás se escolheres ver.
Espero por ti, nessa mesma beira de rio
Cada um dos meus frugais pensamentos aqui
Buscam conciliar a hora do meu despertar
Com a hora que chegarás até mim.
terça-feira, 4 de outubro de 2011
Quadra epigramática
Amor, amor de contradições...
Será sina deste mesmo amor,
Amar por reconhecer-se no amado,
E, reconhecendo-se, deixar de amar?
Amor, amor... amor de dúvidas !
Duvidar das incertezas do amor,
Amar, indubitavelmente, o amado,
E depois sofrer a dúvida do amor...
Amor... de lágrimas !
Esvair-se no pranto salgado
Fluído do âmago da alma,
Pelo amor de sorrisos infinitos.
Amor de encontros...
Que transforma um olhar num laço,
Dois corações em um,
E os permite alçar voo.
Minha bela, esse vil, terno sentimento,
Que lhe peço e que lhe dou,
Existe somente para si mesmo,
Existe para nós.
Será sina deste mesmo amor,
Amar por reconhecer-se no amado,
E, reconhecendo-se, deixar de amar?
Amor, amor... amor de dúvidas !
Duvidar das incertezas do amor,
Amar, indubitavelmente, o amado,
E depois sofrer a dúvida do amor...
Amor... de lágrimas !
Esvair-se no pranto salgado
Fluído do âmago da alma,
Pelo amor de sorrisos infinitos.
Amor de encontros...
Que transforma um olhar num laço,
Dois corações em um,
E os permite alçar voo.
Minha bela, esse vil, terno sentimento,
Que lhe peço e que lhe dou,
Existe somente para si mesmo,
Existe para nós.
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
À noite densa, pétrea, absoluta,
Entrego meus devaneios inconstantes, insones,
Como eu, eterna transição à deriva
No oceano do intervalo de minha morte.
Despido de todo ideal, toda convicção,
Toda dúvida, mágoa ou ansiedade da existência,
Estou só, à beira de mim, e encaro esse abismo
Como um dia encarei o céu da noite,
Sem procurar respostas, mas estrelas.
Findei enfim a minha busca incógnita;
Encontrei a mim procurando por qualquer coisa,
E nenhum fardo me podia ser maior...
Entrego meus devaneios inconstantes, insones,
Como eu, eterna transição à deriva
No oceano do intervalo de minha morte.
Despido de todo ideal, toda convicção,
Toda dúvida, mágoa ou ansiedade da existência,
Estou só, à beira de mim, e encaro esse abismo
Como um dia encarei o céu da noite,
Sem procurar respostas, mas estrelas.
Findei enfim a minha busca incógnita;
Encontrei a mim procurando por qualquer coisa,
E nenhum fardo me podia ser maior...
Uma vida sem decepção,
É uma vida sem expectativas.
Chego, com fastio, à tal conclusão
Remoendo as felicidades que não mo foram concedidas.
Essa insípida existência dos incertos
Não valem uma só rosa de uma roseira;
E os estéreis sonhos do meu coração aberto
Não merecem a espera de uma vida inteira.
Tenho agora medo do que me tornei,
Ante às sucessivas desilusões
Que insistiram em desunir nossos corações
Subvertendo tudo aquilo que sonhei.
Não restam esperanças dentro de mim,
Pouco a pouco o silêncio as sufocou.
Indiferente, aguardo por esse fim,
Reunindo os fragmentos do que sou.
É uma vida sem expectativas.
Chego, com fastio, à tal conclusão
Remoendo as felicidades que não mo foram concedidas.
Essa insípida existência dos incertos
Não valem uma só rosa de uma roseira;
E os estéreis sonhos do meu coração aberto
Não merecem a espera de uma vida inteira.
Tenho agora medo do que me tornei,
Ante às sucessivas desilusões
Que insistiram em desunir nossos corações
Subvertendo tudo aquilo que sonhei.
Não restam esperanças dentro de mim,
Pouco a pouco o silêncio as sufocou.
Indiferente, aguardo por esse fim,
Reunindo os fragmentos do que sou.
sábado, 16 de julho de 2011
Mútuo
Lembro que te vi, tão linda,
Flutuando através do corredor.
Tuas unhas pintadas de azul,
Teu sorriso tão branco e sereno.
Eu não poderia imaginar...
"O mundo faz sentido!"
Foi tudo que eu pude pensar;
Tudo faz sentido quando se é feliz.
O tempo foi muito, foi pouco,
Parou e passou por nós,
E nos esquecemos de nos esquecermos.
Assim como nossas promessas,
Esse amor sempre esteve, sempre estará aqui.
Lembro que te vi, tão linda...
E quando eu acordei, era real.
Flutuando através do corredor.
Tuas unhas pintadas de azul,
Teu sorriso tão branco e sereno.
Eu não poderia imaginar...
"O mundo faz sentido!"
Foi tudo que eu pude pensar;
Tudo faz sentido quando se é feliz.
O tempo foi muito, foi pouco,
Parou e passou por nós,
E nos esquecemos de nos esquecermos.
Assim como nossas promessas,
Esse amor sempre esteve, sempre estará aqui.
Lembro que te vi, tão linda...
E quando eu acordei, era real.
A dama e o luar
Eu, só, te encontrei,
Caminhando trôpega ao léu;
Sem nada a procurar, já completa,
Deitas teus olhos tristes no céu
Dizendo em silêncio quanto és incerta.
E a melodia das tuas vontades
Penetra meus ouvidos com tamanha paixão
Que eu viveria uma vida de saudades
Por uma noite que teu brilho afastasse a escuridão.
Ao teu lado não existem sombras,
E meu sonho surreal
É eternizar o brilho dos teus olhos
No alto do meu firmamento, como estrelas que são,
Iluminando minha noite,
Guiando meus delírios,
Estremecendo minha torpe razão.
No silêncio profundo dos meus devaneios,
Sob o magnífico clarão do luar,
Minhas ilusões tomam as tuas formas,
Cálidas, como nossa maneira de amar,
Que não mede medos, enganos ou normas,
Apenas me levam a me deixar levar...
Caminhando trôpega ao léu;
Sem nada a procurar, já completa,
Deitas teus olhos tristes no céu
Dizendo em silêncio quanto és incerta.
E a melodia das tuas vontades
Penetra meus ouvidos com tamanha paixão
Que eu viveria uma vida de saudades
Por uma noite que teu brilho afastasse a escuridão.
Ao teu lado não existem sombras,
E meu sonho surreal
É eternizar o brilho dos teus olhos
No alto do meu firmamento, como estrelas que são,
Iluminando minha noite,
Guiando meus delírios,
Estremecendo minha torpe razão.
No silêncio profundo dos meus devaneios,
Sob o magnífico clarão do luar,
Minhas ilusões tomam as tuas formas,
Cálidas, como nossa maneira de amar,
Que não mede medos, enganos ou normas,
Apenas me levam a me deixar levar...
Anjo
Ah anjo, sua voz doce dissipa minha angústia, sua alegria desperta minha felicidade mais pura.
Seus olhos brilham buscando a luz, atraindo os meus,
E encontramo-nos num abraço, unindo nossas solidões.
Num único sorriso, ganhamos nosso mundo,
E nos perdemos nos toques das nossas mãos,
Até reencontrarmo-nos sob a pressão cálida do nosso amor,
Inesgotável laço dos nossos corações vacilantes,
Que apenas hesitam em aceitar a verdade porque essa soa demasiado simples,
Perfeita demais para ser real...
Ah anjo, mais do que as palavras podem expressar, ou eu possa conceber,
Eu te amo.
Seus olhos brilham buscando a luz, atraindo os meus,
E encontramo-nos num abraço, unindo nossas solidões.
Num único sorriso, ganhamos nosso mundo,
E nos perdemos nos toques das nossas mãos,
Até reencontrarmo-nos sob a pressão cálida do nosso amor,
Inesgotável laço dos nossos corações vacilantes,
Que apenas hesitam em aceitar a verdade porque essa soa demasiado simples,
Perfeita demais para ser real...
Ah anjo, mais do que as palavras podem expressar, ou eu possa conceber,
Eu te amo.
Sem título II
Tenho-te aqui comigo, guardada no fundo do meu coração,
Como uma doce parte de mim, que aquece meu peito e umedece meus olhos,
Que são teus, e eu esqueço tudo mais.
Me encontro sempre a pensar em ti, indagando a solidão que eu não sinto,
Por mais um sinal que me conduza a crer que não é sonho a união dos nossos destinos,
Mas real como o Sol da manhã.
Lembro-me de cada voto que fiz em silêncio,
Observando nas estrelas acima de ti,
E esperando em vão que essas palavras te encontrassem
Dizendo o que tu só lerias nos meus olhos.
Mas se, não obstante tal sentimento, dele desistires,
Peço-te apenas que, esquecendo-me, não esqueça meus versos;
Esses, como eu, vivem por ti.
Como uma doce parte de mim, que aquece meu peito e umedece meus olhos,
Que são teus, e eu esqueço tudo mais.
Me encontro sempre a pensar em ti, indagando a solidão que eu não sinto,
Por mais um sinal que me conduza a crer que não é sonho a união dos nossos destinos,
Mas real como o Sol da manhã.
Lembro-me de cada voto que fiz em silêncio,
Observando nas estrelas acima de ti,
E esperando em vão que essas palavras te encontrassem
Dizendo o que tu só lerias nos meus olhos.
Mas se, não obstante tal sentimento, dele desistires,
Peço-te apenas que, esquecendo-me, não esqueça meus versos;
Esses, como eu, vivem por ti.
quinta-feira, 2 de junho de 2011
Diálogo
"- Mas você sabe... Não sabe ? - perguntou ele, mais com os olhos que com os lábios - Eu não quis, naquele momento, lhe fazer sentir algo diferente do que sempre demonstrei.
Foi como se... demonstrando o inverso do que eu sentia, eu pudesse adiar o momento de lhe dizer, o que sempre deveria, afim de poupar seu coração...
- E que é então ? - ela perguntou - Eu compreendo todo silêncio, exceto o seu... E talvez nunca soubesse dessa existência, se eu não pudesse lê-lo no passado.
Afinal, ele sempre se reservou a um canto do seu coração; em todo o resto posso compreender que o conheço como nunca, e é essa a razão dos meus atos.
Pois sei que vocÊ pode entendê-los. Ao menos se eu pudesse te mostrar ! Mas penso que seja exatamente isso que eu não devo fazer...
- Sim, o poeta respondeu, concordo que esse silêncio se mantenha adormecido em minha alma... Mas, se ao menos vocÊ soubesse tudo que isso significa !
Que, todos os dias, as palavras que mais se agitavam no meu peito deviam se manter em silencio, até o dia em que elas se convertessem em lágrimas salgadas...
Não, não era possível tê-la perdido ! Pois que até as poesias calavam-se, os pássaros se aquietavam, os relógios esqueciam o tempo, quando eu ouvia sua voz...
Que triste sonho foi esse ? Uma completa noite sem estrelas, onde o céu espesso e vazio se sobrepõe ante nós como pra nos mostrar nossa fragilidade...
Nenhuma voz eu podia ouvir, os lábios se moviam sem emitir som algum; os dias, as semanas, os meses não eram mais que grãos de areia numa ampulheta em minhas mãos.
Por fim, veio um raio fúlgido de sol amparar os meus ouvidos com suas cálidas palavras. E tanto elas iluminaram esse sonho, que não mais eu me senti numa fantasia.
Era agora dia, como alguns de antes, e pudemos chamá-lo de recomeço... E apesar de toda distância que pode existir entre dois seres complementares, éramos isso, ainda.
E ainda hoje tenho certeza que sempre será dessa forma. O meu medo é contar essa história de outra maneira, com um fim diferente daquele recitado pelas nossas palavras...
Mas é certo que esse medo não passa de uma breve dúvida em nossos corações, como a inexplicável nostalgia que sentimos pelo que nunca vimos, que aperta nosso peito
para depois entendermos que era apenas um vento que soprou... E assim o tempo correu, e nos trouxe até...
- Por tanto tempo você esteve enganado, e eu não pude fazer nada ! - interrompe sua amada- É isso que percebo agora... Mas ainda não posso ! Pode ser apenas um truque, mas você deve seguir sempre
em frente, sem olhar para trás, afim de resgatar Eurídice...
- Entendo perfeitamente... E teria essa coragem, se eu fosse Orfeu. Mas eu não sou, e preciso procurá-la em você... É o meu único talento, buscar os seus olhos e deles
extrair as virtudes que o Céu não entregaria a um mero mortal... E, contudo, parece que novamente eu hesito, e olho para trás no momento de atravessar o véu que
separa nossos mundos... Por quê ? Eu sinto que posso. Sinto seu caminhar leve ao meu encalço. E me falta saber, nesse instante, como suprimir meus medos, sem poder ouvir sua voz,
sem ter de você algo que me dissesse: 'Sim ! Não há por quê não sonhar, estando acordado.' É o quê eu também diria nos seus ouvidos, quando pudesse colocar novamente meus olhos nos seus.
Mas tão frágeis, tão frágeis são minhas ilusões, que seu suspiro as derruba como um castelo de cartas... E de onde vem esse suspiro ? Essa resposta é tão inconstante
que só me restaria entregar meu coração para saciar suas perguntas, se fosse possível curar suas aflições com o meu amor... Que novamente sua chama arde da mesma maneira
que sempre ardeu meu peito calado...
- Você, que tanto pode me dizer do que se passa em nossas almas, que com doces palavras disse o que todo coração espera sentir, que atravessaria o Aqueronte, como fez Orfeu, pelo meu eterno aquiescer, não sabe a resposta do seu
próprio dilema ? O amor vence tudo."
Foi como se... demonstrando o inverso do que eu sentia, eu pudesse adiar o momento de lhe dizer, o que sempre deveria, afim de poupar seu coração...
- E que é então ? - ela perguntou - Eu compreendo todo silêncio, exceto o seu... E talvez nunca soubesse dessa existência, se eu não pudesse lê-lo no passado.
Afinal, ele sempre se reservou a um canto do seu coração; em todo o resto posso compreender que o conheço como nunca, e é essa a razão dos meus atos.
Pois sei que vocÊ pode entendê-los. Ao menos se eu pudesse te mostrar ! Mas penso que seja exatamente isso que eu não devo fazer...
- Sim, o poeta respondeu, concordo que esse silêncio se mantenha adormecido em minha alma... Mas, se ao menos vocÊ soubesse tudo que isso significa !
Que, todos os dias, as palavras que mais se agitavam no meu peito deviam se manter em silencio, até o dia em que elas se convertessem em lágrimas salgadas...
Não, não era possível tê-la perdido ! Pois que até as poesias calavam-se, os pássaros se aquietavam, os relógios esqueciam o tempo, quando eu ouvia sua voz...
Que triste sonho foi esse ? Uma completa noite sem estrelas, onde o céu espesso e vazio se sobrepõe ante nós como pra nos mostrar nossa fragilidade...
Nenhuma voz eu podia ouvir, os lábios se moviam sem emitir som algum; os dias, as semanas, os meses não eram mais que grãos de areia numa ampulheta em minhas mãos.
Por fim, veio um raio fúlgido de sol amparar os meus ouvidos com suas cálidas palavras. E tanto elas iluminaram esse sonho, que não mais eu me senti numa fantasia.
Era agora dia, como alguns de antes, e pudemos chamá-lo de recomeço... E apesar de toda distância que pode existir entre dois seres complementares, éramos isso, ainda.
E ainda hoje tenho certeza que sempre será dessa forma. O meu medo é contar essa história de outra maneira, com um fim diferente daquele recitado pelas nossas palavras...
Mas é certo que esse medo não passa de uma breve dúvida em nossos corações, como a inexplicável nostalgia que sentimos pelo que nunca vimos, que aperta nosso peito
para depois entendermos que era apenas um vento que soprou... E assim o tempo correu, e nos trouxe até...
- Por tanto tempo você esteve enganado, e eu não pude fazer nada ! - interrompe sua amada- É isso que percebo agora... Mas ainda não posso ! Pode ser apenas um truque, mas você deve seguir sempre
em frente, sem olhar para trás, afim de resgatar Eurídice...
- Entendo perfeitamente... E teria essa coragem, se eu fosse Orfeu. Mas eu não sou, e preciso procurá-la em você... É o meu único talento, buscar os seus olhos e deles
extrair as virtudes que o Céu não entregaria a um mero mortal... E, contudo, parece que novamente eu hesito, e olho para trás no momento de atravessar o véu que
separa nossos mundos... Por quê ? Eu sinto que posso. Sinto seu caminhar leve ao meu encalço. E me falta saber, nesse instante, como suprimir meus medos, sem poder ouvir sua voz,
sem ter de você algo que me dissesse: 'Sim ! Não há por quê não sonhar, estando acordado.' É o quê eu também diria nos seus ouvidos, quando pudesse colocar novamente meus olhos nos seus.
Mas tão frágeis, tão frágeis são minhas ilusões, que seu suspiro as derruba como um castelo de cartas... E de onde vem esse suspiro ? Essa resposta é tão inconstante
que só me restaria entregar meu coração para saciar suas perguntas, se fosse possível curar suas aflições com o meu amor... Que novamente sua chama arde da mesma maneira
que sempre ardeu meu peito calado...
- Você, que tanto pode me dizer do que se passa em nossas almas, que com doces palavras disse o que todo coração espera sentir, que atravessaria o Aqueronte, como fez Orfeu, pelo meu eterno aquiescer, não sabe a resposta do seu
próprio dilema ? O amor vence tudo."
segunda-feira, 30 de maio de 2011
Aquiescendo
Não me é estranho aos sentidos beber alegria da fonte dos teus leves gestos;
Muito me compraz embeber-me da doçura do arfar do seu peito,
Do pulsar das tuas veias, que em rajadas permitem a ti ser o que és;
Tornando sublime tua singular existência, digna do mais puro amor,
Que também meus sentidos e meu coração buscam lhe aquiescer.
Não me faltam os atemporais instantes de júbilo
Cedidos gentilmente por cada trêmulo suspiro teu,
Consagrados assim na minha memória, junto com cada batimento do seu coração.
Só peço, em silêncio, que nunca se esgotem minhas palavras,
Que como brisas te podem embalar, e entorpecer teus sentidos,
Invadindo teus ouvidos e se aninhando com carinho em teu peito,
Fazendo transbordar dentro de ti o calor e a felicidade que o meu amor quer te entregar.
Nesse incessante ciclo se escorrem meus dias,
A deitar no papel tais esboços da tua beleza, a esperar-te com paciência e tristeza,
A procurar teus olhos com os meus com destreza
Na fiel esperança de quem por ti sempre viverá.
Muito me compraz embeber-me da doçura do arfar do seu peito,
Do pulsar das tuas veias, que em rajadas permitem a ti ser o que és;
Tornando sublime tua singular existência, digna do mais puro amor,
Que também meus sentidos e meu coração buscam lhe aquiescer.
Não me faltam os atemporais instantes de júbilo
Cedidos gentilmente por cada trêmulo suspiro teu,
Consagrados assim na minha memória, junto com cada batimento do seu coração.
Só peço, em silêncio, que nunca se esgotem minhas palavras,
Que como brisas te podem embalar, e entorpecer teus sentidos,
Invadindo teus ouvidos e se aninhando com carinho em teu peito,
Fazendo transbordar dentro de ti o calor e a felicidade que o meu amor quer te entregar.
Nesse incessante ciclo se escorrem meus dias,
A deitar no papel tais esboços da tua beleza, a esperar-te com paciência e tristeza,
A procurar teus olhos com os meus com destreza
Na fiel esperança de quem por ti sempre viverá.
quarta-feira, 25 de maio de 2011
Versos Brancos
Um soneto é só, se você não o lê;
Um sorriso é pouco, se ele não é o seu,
Versos brancos não me trazem você,
Mas entregam a ti todo o meu amor.
Palavras que eu uso para lhe dizer
Que me basta apenas um olhar seu,
Apenas um gesto, e o resto é vão.
É esse amor que nessas linhas lhe entrego.
Tantas vezes invadiram meu peito
Tais linhas que agora são versos seus,
Que 'amor' e 'amar' existem por você,
E os seus desejos são também os meus.
Assim, nessa cálida devoção,
A verdade se revela você;
Destarte, meu amor, serei sempre fiel
À eterna chama que você me trouxe.
Um sorriso é pouco, se ele não é o seu,
Versos brancos não me trazem você,
Mas entregam a ti todo o meu amor.
Palavras que eu uso para lhe dizer
Que me basta apenas um olhar seu,
Apenas um gesto, e o resto é vão.
É esse amor que nessas linhas lhe entrego.
Tantas vezes invadiram meu peito
Tais linhas que agora são versos seus,
Que 'amor' e 'amar' existem por você,
E os seus desejos são também os meus.
Assim, nessa cálida devoção,
A verdade se revela você;
Destarte, meu amor, serei sempre fiel
À eterna chama que você me trouxe.
terça-feira, 24 de maio de 2011
Sem título I
Fique, sentimento bom,
Não se vá com o dobrar dos sinos,
Nem me deixe ao raiar do Sol.
Fique, encoste sua cabeça no meu peito,
Me deixe sentir a cálida delicadeza da sua pele como seda
Esvair minhas angústias, como a nuvem se esvai da água da chuva.
Fique, meu bem,
O amor existe para nos tornar um só
E de nada adianta crer que a solidão também.
Fique, ainda é cedo.
Adormeça, para que eu possa imaginar seus sonhos...
Para que eu possa, também, sonhar.
Não se vá com o dobrar dos sinos,
Nem me deixe ao raiar do Sol.
Fique, encoste sua cabeça no meu peito,
Me deixe sentir a cálida delicadeza da sua pele como seda
Esvair minhas angústias, como a nuvem se esvai da água da chuva.
Fique, meu bem,
O amor existe para nos tornar um só
E de nada adianta crer que a solidão também.
Fique, ainda é cedo.
Adormeça, para que eu possa imaginar seus sonhos...
Para que eu possa, também, sonhar.
Vínculo de amor
As lágrimas que eu derramo por ti
Tem o mesmo sabor do oceano que nos separa
E nessa noite fria onde a poesia me ampara
As lágrimas que escorrem são as lembranças dentro de mim.
Nessas poucas linhas, tento traduzir meu coração
E não me surpreende saber que ele não mora em meu peito,
Mas, junto com meus pensamentos, ocupa teu leito,
E nesse eterno amar se encerra minha razão.
Minha primavera se foi, e meu lar, não há;
Hoje vagueio só por essas ruas
Sonhando com as minhas noites que foram tuas
E nenhum verso ou súplica me impedem de acordar.
Minha única alegria, nesse tênue viver,
É ter gravado em minha alma
A razão da minha calma
Que é saber não poder te esquecer.
Tem o mesmo sabor do oceano que nos separa
E nessa noite fria onde a poesia me ampara
As lágrimas que escorrem são as lembranças dentro de mim.
Nessas poucas linhas, tento traduzir meu coração
E não me surpreende saber que ele não mora em meu peito,
Mas, junto com meus pensamentos, ocupa teu leito,
E nesse eterno amar se encerra minha razão.
Minha primavera se foi, e meu lar, não há;
Hoje vagueio só por essas ruas
Sonhando com as minhas noites que foram tuas
E nenhum verso ou súplica me impedem de acordar.
Minha única alegria, nesse tênue viver,
É ter gravado em minha alma
A razão da minha calma
Que é saber não poder te esquecer.
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