sábado, 4 de dezembro de 2010

Têm dias que de tão azuis, se fazem cinza ao nosso olhar. Parece o jeito de nos mostrar que estamos muito ligados à nós mesmo, às coisas e sentimentos que nos cercam... Esses dias me trazem uma profunda melancolia, como se eu tivesse a certeza que eles existem pra tripudiar de mim, das minhas mágoas. Não sei o que fazer, o ato de resignação é o único que faz desses dias, além de cinzas, um pouco mais róseos, e é isso que se reflete na tinta e no papel, ou deveria ser... No fundo do meu coração minha vontade seria saber se, num dia desses, eu me juntaria à fonte das cores dos dias, que a tudo tinge e dá vida de acordo com o desejo de cada um.. Meu medo é que um dia, esses dias acabem, e só me reste a solidão sem cor de uma saudade...

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Às vezes...

Às vezes eu penso estar preso por um tempo mordaz que acelera minha melancolia.
Esse mesmo tempo me levará até lugares e pessoas que passarão, mas não diminuirão minha tristeza.
Esses lugares farão parte das minhas memórias até serem apagados como cinzas ao vento, juntamente com todos os sorrisos, e lágrimas, deixadas para trás. As difíceis escolhas tomadas hoje serão insignificantes grãos de areia para o futuro que desprezará qualquer tentativa de resistência, e mesmo o sonho mais íntimo, realizado ou não, será dragado para o mundo onde a indiferença é a máxima universal. Toda esperança perecerá, tão implacável é o tirano que tira de nós o que somos, cedo ou tarde. Nos restará apenas a certeza de que o amanhã chegará da mesma forma que hoje, levando esse dia e esperando nosso último, e todas as alegrias que virão estarão fadadas à mesma sina. A solidão não será sutil e ocasional, mas voraz e completa, e eu lembrarei de tudo que passou com um peso no coração que só não será incalculável por que será esquecido como todas as outras coisas...
Mas isso tudo é mentira, por dentro de mim o tempo valsa ao som do mar, eterno, repetitivo, melancólico e perfeito...