Vem sentar-te ao meu lado,
Aqui, nessa beira de rio.
Esqueças que um dia não haverá
Eu, tu, o rio, e todos os dias belos.
Vem lembrar comigo do nosso amor,
Como um passado que nos manteve jovens,
E com seu silencioso crepitar nos aqueceu
Afastando o frio da solidão.
Vem, para que eu possa ler nos teus olhos
Aquele amor tão puro e espontâneo
Que evita-se enunciá-lo por medo de que,
Tornando-se tangível, quebre-se.
Vem, escuta-me dizer-te ao teu ouvido
Que tua incerteza só é,
Se não puderes ver,
E só verás se escolheres ver.
Espero por ti, nessa mesma beira de rio
Cada um dos meus frugais pensamentos aqui
Buscam conciliar a hora do meu despertar
Com a hora que chegarás até mim.
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